Instituído pela primeira vez no Brasil no verão de 1931/1932, e desde 1985 ocorrendo todos os anos, o horário de verão volta mais uma vez ao cotidiano da maioria dos brasileiros. Em seus 112 dias de duração, afeta 10 estados mais o Distrito Federal e seu principal objetivo é proporcionar o melhor aproveitamento da luz natural ao entardecer. Esta mudança registra uma relação homem-natureza, pois é uma modificação humana e claramente política do "horário do relógio" para maximizar o aproveitamento do ambiente natural.
Em uma linguagem econômica, pode-se dizer que o horário de verão funciona de maneira análoga a alguns tipos de investimento: em 5 de novembro de 2006, o dia tem 23 horas, em 25 de fevereiro de 2007, o dia terá 25 horas, ou seja, deixa-se de consumir 1 hora, ao adiantar-se o relógio, para consumi-la, posteriormente, ao atrasá-lo. Abre-se mão de um consumo presente para se obter um consumo futuro. Alguns investimentos, como a previdência social ou o consórcio de um carro, funcionam deste modo: o dinheiro investido não é transformado em consumo imediato, ele fica inacessível até poder ser resgatado em alguma data futura.
Mesmo que o brasileiro, morador deste país tropical, não tenha o hábito saudável de poupar, é bem sabido que deixar de gastar hoje para gastar amanhã, quando esta não é a única opção, merece um prêmio. Este prêmio pode ser os juros.
Iniciando uma nova linha de pensamento, ainda é do imaginário popular aquele dito moderno "tempo é dinheiro" que norteia a vida de muitos indivíduos. Se tempo é dinheiro e o horário de verão é análogo a um investimento, então onde estão os juros do tempo?
Tomando como base a taxa SELIC de juros, atualmente em 13,75% ao ano, a hora não-consumida em novembro deve ser corrigida e devolvida no dia 25 de fevereiro. Realmente ela é devolvida, porém sem juros. Abre-se mão de consumir 1 hora do dia 5 de novembro por um período de 112 dias e, aparentemente, não se ganha nada com isso. Aplicando-se a correção, o governo teria de devolver, ao fim do horário de verão, não apenas 1 hora, mas 1 hora mais 2 minutos e 33 segundos, ou seja, deixa-se de receber 2 minutos e 33 segundos que representam os juros desta aplicação de tempo.
No entanto, para que este recebimento ocorra há diversas soluções e diversos problemas: o governo poderia devolver o tempo acrescido dos juros, o que faria o dia 25 de fevereiro de 2007 ter 25h2min33s, porém isto desregularia o relógio com relação aos demais fusos horários brasileiros e mundiais, causando uma verdadeira confusão.
Em vista desta pendência, outra solução é o governo repassar estes 2min33s em dinheiro aos cidadãos afetados pelo horário de verão, ou seja, pagar a cada um 2min33s de sua hora de trabalho. Com base nos últimos dados do IBGE e também no fato de a região em questão ser, proporcionalmente, 17% mais rica que a média brasileira, pode-se assumir que se deve pagar, em média, R$0,19 para cada indivíduo que possua trabalho remunerado e seja residente em algum dos estados afetados, com estes dados, vê-se que o valor médio da hora de trabalho é de R$4,49. No entanto, é possível que a medida cause descontentamento aos moradores dos estados não-afetados ou aos viajantes que, por ventura, também entrem em contato com o horário de verão, mas não deverão receber os jurus do tempo por não serem residentes da região ou, ainda, com os próprios residentes que trabalhem, mas não recebem remuneração, o que os excluiria do direito de receber os juros, caso clássico das donas-de-casa. De qualquer forma, caso o pagamento ocorresse, e apenas o levando em consideração, o governo gastaria aproximadamente 8,5 milhões de reais.
São os 8,5 milhões de reais de verão. Este valor foi o mesmo que a união repassou, de janeiro de 2004 a outubro de 2006, ao município paulista de Bom Sucesso de Itararé, na divisa com o Paraná, que possui cerca de 3.500 habitantes. O montante que seria pago em juros pode ser considerado irrisório, não apenas pelo baixo valor da hora do trabalhador, mas também pelo pequeno número de trabalhadores residentes remunerados, quando comparados com a população absoluta dos estados. É possível que estes juros até já sejam pagos, mas não chegam aos cidadãos por serem recolhidos na fonte, como impostos.
No entanto, vale observar que o horário de verão, realmente, gera uma economia de energia nos horários de pico e esta economia, caso o custo do kWh não aumente, é passada ao consumidor. Fique de olho na sua conta de luz: se até dia 25 de fevereiro de 2007 você não totalizar uma economia no valor de 2 minutos e 33 segundos da sua hora de trabalho, é bom você ir pensando em lutar pelos seus direitos. Quanto vale o seu minuto?
Em uma linguagem econômica, pode-se dizer que o horário de verão funciona de maneira análoga a alguns tipos de investimento: em 5 de novembro de 2006, o dia tem 23 horas, em 25 de fevereiro de 2007, o dia terá 25 horas, ou seja, deixa-se de consumir 1 hora, ao adiantar-se o relógio, para consumi-la, posteriormente, ao atrasá-lo. Abre-se mão de um consumo presente para se obter um consumo futuro. Alguns investimentos, como a previdência social ou o consórcio de um carro, funcionam deste modo: o dinheiro investido não é transformado em consumo imediato, ele fica inacessível até poder ser resgatado em alguma data futura.
Mesmo que o brasileiro, morador deste país tropical, não tenha o hábito saudável de poupar, é bem sabido que deixar de gastar hoje para gastar amanhã, quando esta não é a única opção, merece um prêmio. Este prêmio pode ser os juros.
Iniciando uma nova linha de pensamento, ainda é do imaginário popular aquele dito moderno "tempo é dinheiro" que norteia a vida de muitos indivíduos. Se tempo é dinheiro e o horário de verão é análogo a um investimento, então onde estão os juros do tempo?
Tomando como base a taxa SELIC de juros, atualmente em 13,75% ao ano, a hora não-consumida em novembro deve ser corrigida e devolvida no dia 25 de fevereiro. Realmente ela é devolvida, porém sem juros. Abre-se mão de consumir 1 hora do dia 5 de novembro por um período de 112 dias e, aparentemente, não se ganha nada com isso. Aplicando-se a correção, o governo teria de devolver, ao fim do horário de verão, não apenas 1 hora, mas 1 hora mais 2 minutos e 33 segundos, ou seja, deixa-se de receber 2 minutos e 33 segundos que representam os juros desta aplicação de tempo.
No entanto, para que este recebimento ocorra há diversas soluções e diversos problemas: o governo poderia devolver o tempo acrescido dos juros, o que faria o dia 25 de fevereiro de 2007 ter 25h2min33s, porém isto desregularia o relógio com relação aos demais fusos horários brasileiros e mundiais, causando uma verdadeira confusão.
Em vista desta pendência, outra solução é o governo repassar estes 2min33s em dinheiro aos cidadãos afetados pelo horário de verão, ou seja, pagar a cada um 2min33s de sua hora de trabalho. Com base nos últimos dados do IBGE e também no fato de a região em questão ser, proporcionalmente, 17% mais rica que a média brasileira, pode-se assumir que se deve pagar, em média, R$0,19 para cada indivíduo que possua trabalho remunerado e seja residente em algum dos estados afetados, com estes dados, vê-se que o valor médio da hora de trabalho é de R$4,49. No entanto, é possível que a medida cause descontentamento aos moradores dos estados não-afetados ou aos viajantes que, por ventura, também entrem em contato com o horário de verão, mas não deverão receber os jurus do tempo por não serem residentes da região ou, ainda, com os próprios residentes que trabalhem, mas não recebem remuneração, o que os excluiria do direito de receber os juros, caso clássico das donas-de-casa. De qualquer forma, caso o pagamento ocorresse, e apenas o levando em consideração, o governo gastaria aproximadamente 8,5 milhões de reais.
São os 8,5 milhões de reais de verão. Este valor foi o mesmo que a união repassou, de janeiro de 2004 a outubro de 2006, ao município paulista de Bom Sucesso de Itararé, na divisa com o Paraná, que possui cerca de 3.500 habitantes. O montante que seria pago em juros pode ser considerado irrisório, não apenas pelo baixo valor da hora do trabalhador, mas também pelo pequeno número de trabalhadores residentes remunerados, quando comparados com a população absoluta dos estados. É possível que estes juros até já sejam pagos, mas não chegam aos cidadãos por serem recolhidos na fonte, como impostos.
No entanto, vale observar que o horário de verão, realmente, gera uma economia de energia nos horários de pico e esta economia, caso o custo do kWh não aumente, é passada ao consumidor. Fique de olho na sua conta de luz: se até dia 25 de fevereiro de 2007 você não totalizar uma economia no valor de 2 minutos e 33 segundos da sua hora de trabalho, é bom você ir pensando em lutar pelos seus direitos. Quanto vale o seu minuto?
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