15.9.11

Aula de Roteiro - 4o trabalho


INT. SALA. DIA

FAXINEIRA (45) arruma a mesa de café da manhã. Retira de sua bandeja um bule e uma cesta de pães e os dispõe em seus lugares. Faxineira sai.

INT. SALA. DIA

HOMEM (30) e MULHER (30) tomam café da manhã sentados. Homem e Mulher param, olham-se fixamente.

INSERT Porta do banheiro aberta.

Homem e Mulher levantam-se, cruzam a sala em direção ao banheiro apressados. Homem entra no banheiro, fecha e tranca a porta. Mulher força a maçaneta; Mulher ESMURRA a porta.

HOMEM (OS)
Está ocupado!

Mulher encosta-se na porta do banheiro, leva as mãos na cabeça.

Montagem:
A) Fio de água escorre da torneira.
B) Mulher parada na porta do banheiro.
C) Água cai da fonte de pedras.
D) Bomba do aquário ligada.
E) Homem dentro do banheiro.
F) Café passa por coador de pano.

INT. SALA. DIA

Mulher está sentada à mesa. Homem chega e senta-se. Homem sorri. Homem tenta pegar o bule de café. Mulher ajeita-se na cadeira, inquieta. Homem encosta no bule.

MULHER
Seu eu fosse você, não beberia este café.

Homem larga o bule e afasta sua mão dele. Mulher sorri.

Homem volta a tocar o bule, o pega e começa a se servir.

HOMEM
Hum... Este café parece maravilhoso!

MULHER
Ei! Não ouviu o que eu disse?

Homem leva a xícara junto ao seu rosto com calma.

MULHER
Você deve estar de brincadeira! Depois não diga que...

Homem bebe o café. Mulher para de falar. Homem contorce seu rosto em uma careta. Homem fica sério.

HOMEM
Como você pôde fazer uma coisa dessas? Este café está intragável! Que nojo!

Mulher se assusta. Homem larga a xícara no pires, levanta-se e sai. Café derrama-se sobre a toalha. Mulher fica paralisada olhando para a xícara.

Faxineira entra na sala. Faxineira coloca sobre sua bandeja o bule de café e a cesta de pães.

FAXINEIRA
Eu já trago um pano molhado, minha senhora.

Faxineira sorri.

MONTAGEM:
A) Faxineira faz o café sorrindo.

Fim.

FAXINEIRA (45)
Nascida em 22/07/1966 em uma família pobre na área rural do interior do estado. Sua família morava em uma grande fazenda, onde cuidavam das coisas enquanto os donos moravam na capital. Teve uma infância triste. Mudou-se para a capital quando completou 16 anos para trabalhar como doméstica na casa de sua madrinha, esposa do dono da fazenda, com quem tinha muito afeto, até mais que com seus pais. A madrinha correspondia a este afeto, tratando-a como filha. Aos 19 anos era governanta da casa, chamando a atenção de seus patrões e a inveja de muitas pessoas. Aos 23 viu sua madrinha adoecer e morrer, o que a deixou muito triste. Com sua morte, os herdeiros a despejaram da casa. Desde então, ronda pelas casas luxuosas da cidade oferecendo seus serviços por longos ou curtos períodos de tempo, dependendo do empregador.

HOMEM (30)
Nascido em berço de ouro, teve uma excelente infância onde tinha do bom e do melhor. Pouco estudioso, frequentou os melhores colégios com as piores notas. Sem a necessidade de trabalhar devido às grandes posses de sua família, opta por fazer uma faculdade apenas para ocupar suas tardes. Entre as aulas de economia, apaixona-se por aquela que posteriormente será sua esposa. Casa-se e passa a morar junto com ela em um apartamento de luxo num bairro nobre da cidade. Muito brincalhão e extrovertido, nunca deixou de lado seu lado infantil, o que deixa sua mulher muito irritada.

MULHER (30)
Nascida em uma boa família na capital do estado, tem um irmão com quem compete o tempo todo, fazendo dela uma menina bastante agitada. Seu clima de competição chega à escola e a faz ter boas notas, porém poucos amigos. Escolhe uma boa faculdade onde consegue bolsa por mérito. Em uma de suas aulas, conhece aquele que será seu marido. Interessa-se por ele aos poucos, arranja um bom emprego e casa-se. Se irrita com sua infantilidade e por não receber a devida atenção merecida.

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